sábado, 14 de setembro de 2019

Capricho estoico

Novamente a noite me afaga
Como quem sussurra palavras ávidas
Enquanto a alma manifesta alaridos
Me sinto cansado porem vitorioso

Pois apesar do que não me satisfaz
Sigo edificado na conduta dos meus princípios,
O que me aproxima de quem sou
Ou quem penso que sou

Eu, que da noite sou refém
As vezes me entrego ao sadomasoquismo 
Que meus pensamentos insistem, 
Em prantos, chamar de hedonismo 

Alma calejada, consumada e erodida
Cara lavada, salinizada pelos riachos da vida.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Mesóclise

Amar-te-ia se assim já não fizesse e
A Marte ia ainda que não quisesse,
Mesóclise arcaica e extremos pueris bela
Só não mais graciosa que o sorriso dela.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Polaroid

Eu me despi
E fui assim como nasci
Me entregar para você
Como quem não tem nada a perder - e eu não tinha mesmo -

E ganhei
Mais do que sonhei
Eu vi, vivi e senti a vida
Pelos braços que me afagaram

No abraço apertado,
No beijo com o tempo parado
O universo inteiro cabia ali
E eramos apenas nós

Não tínhamos muito
E assim muito foi conquistado,
Aprendido e amado,
Revelado.

terça-feira, 9 de julho de 2019

patrono apático

do alto do meu convés:
vi caucasianos se declararem superiores
e banharem em sangue os pavimentos do navio
que outrora foram construídos pelos que ali foram açoitados

do alto do meu convés:
eu vi ambos criarem e nutrirem deuses
e sem resposta, amaldiçoa-los e 
buscarem em si as respostas que os corrompiam

do alto do meu convés:
eu vi a ascensão de uma espécie 
e sua total derrocada...

eu vi e sorri, do alto do meu convés:
o naufrágio dos egoístas no réquiem agoniante
de seus alaridos irritantes.


domingo, 23 de junho de 2019

apophis

sometimes I see my demons
and I watch them giving their best
to see my worst,
just for fun...

in the edge of my thoughts
from the ends to the center,
I desire with all my strength:
fire.

to reborn
more hopeful,
stronger
and clever.

thats all I want
thats all I really need.

terça-feira, 21 de maio de 2019

nihilist poem

o silêncio que me invade
me rende,
e abre espaço ao existencialismo colossal
que se entranha no meu corpo
e se dissipa 
contaminando toda minha fé 
e esperança no amanhã.

terça-feira, 14 de maio de 2019

postergado ato

nos desprendemos e nos entrelaçamos:
do colo da mãe ao peito da amante,
rompemos os laços que criamos
na fantasia do ideal de nós.

a vida nos dá 
como quem vislumbra o horizonte,
e nos tira 
como quem logra em queda livre

seria sádico
ou seria belo?
o agridoce presente na essência da alma
naturalmente se desenvolve...

a vida no final há de ser isso:
uma criança que
brinca sozinha
de gangorra.