domingo, 22 de julho de 2018

Dos palmares, da vida

Nas brisas gélidas que me açoitam o rosto pela manhã,
O frio que faz é o calor que você poderia dar

Em cada corte gélido de um novo dia
Você é a parte do nó que desata de mim

Nessas manhãs que me açoitam,
O canto dos pássaros é acanhado,
A moça da rua não dá bom dia
E o sol aparece nas entrelinhas.

A nossa música é o eco
Que restou do encontro dos nossos corpos...

E nessas manhãs que me açoitam,
Escravo dos sentimentos, resistência,
Busco a carta de alforria
Para seguir a vida, numa manhã de um novo dia.

domingo, 1 de julho de 2018

embaraços

nos enrolamos e
criamos nós em nós,
que poderiam ter sido laços
de presentes,
relações...
nos embaraçamos em meio aos nós,
entrelaços singulares
que vinculados foram
e se encontram bipartidos.
desatou / nós .

domingo, 24 de junho de 2018

you / me

you had my soul
before my body

you got my taste
before my lips

you had everything you don't learned to use,
and when it happens

you had me
before you lose

quarta-feira, 20 de junho de 2018

há de haver

há de ser amor
e se não for...
há de ser dor.
há de se viver por respirar
e enquanto pulsar
há de ser brilho no olhar.

domingo, 10 de junho de 2018

Se minha vida fosse um som

Se minha vida fosse um som
ele seria assim: não tão barulhento
e nem muito silencioso. 
Ele seria constante.

Apesar dos apesares
das idas e vindas, 
dos cumprimentos e despedidas
ele seria assim: progressivo.

Uma bossa nova, com melodia em loop
feita em acordes com sétima e sétima menores
e percursão embutida ao punho sobre as cordas.

Não entendeu? Bom, talvez haja quem entenda,
mas certo é dizer que a vida é assim:
Incessante e sem razão.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Quero

Eu quero que você sinta
o silêncio que sucede o som
e se derroca lentamente no vazio
Quero que você inspire, respire e expire
No compasso e no ritmo da nossa música,
E que segure a respiração quando a mesma acabar.

Eu quero dançar no mesmo lugar
Separados, sozinhos e depois juntos
Quero conduzir e me sentir seguro ao ser conduzido

Quero falar das coisas que eu vivi
E das saudades do que ainda não,
Quero poder sentir saudades de amigos e amores - mais de amigos do que de amores -
Quero também plantar novas escolhas,
Colher novos erros
Gerar frutos e ser podado.
Eu quero muita coisa
E é por isso também, que muita coisa tem me querido.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Fênix II

Na mais comum faísca da realidade
incinerei meus sonhos
e ateei fogo aos inimigos mais perversos:
Medo e insegurança.
Sobre as cinzas emergiram
apenas minha força
e esperança.