terça-feira, 21 de maio de 2019

nihilist poem

o silêncio que me invade
me rende,
e abre espaço ao existencialismo colossal
que se entranha no meu corpo
e se dissipa 
contaminando toda minha fé 
e esperança no amanhã.

terça-feira, 14 de maio de 2019

postergado ato

nos desprendemos e nos entrelaçamos:
do colo da mãe ao peito da amante,
rompemos os laços que criamos
na fantasia do ideal de nós.

a vida nos dá 
como quem vislumbra o horizonte,
e nos tira 
como quem logra em queda livre

seria sádico
ou seria belo?
o agridoce presente na essência da alma
naturalmente se desenvolve...

a vida no final há de ser isso:
uma criança que
brinca sozinha
de gangorra.

domingo, 14 de abril de 2019

olhar de rede

um olhar de rede
que pega qualquer peixe
e não se vive mais de amor em sede,
afogados e
respirando
a paixão do deleite.

terça-feira, 19 de março de 2019

pedestal

eu gosto dos holofotes
das entradas triunfais
do reconhecimento,
sou só mais um egoísta imbecil
hedonista com a alma em evaporação

e se eu virar chuva
vou cair por terra como dilúvio
deixando marcas por erosão,
porque eu gosto dos holofotes
das saídas triunfais
dos aplausos torrenciais.

quinta-feira, 7 de março de 2019

metrópole

meu corpo grita por silêncio
no sussurro de uma alma hipócrita
erodida pelo dia a dia
numa rotina cinza feito de buzinas, 
engarrafamentos 
e atrasos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

maiêutica particular

se em cada anseio 
a calma já me fosse dada
eu certamente não me desesperaria
assim como também não aprenderia.

se em cada desencontro
eu não fizesse minha busca particular
eu estaria a deriva,
buscando a mim em outras vidas. 

e se em cada passo não existisse
a busca de ser alguém melhor
eu estaria pisando em vão nesse solo fétido
fértil em falsos valores.

e se a cada "e se"
não existisse o cético que exacerba em mim
eu seria mais um anestesiado a rotina,
ligado a matrix.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

a soma

semblante de um novo dia, um dia bom 
que seja como todos os outros 
mas que seja como a soma 
de todos os outros 
e que vivamos intensa e arduamente 
tudo que há de ser vivido